Artigo - Manejo sanitário para bovinos (01)
O controle sanitário em rebanhos bovinos de corte e leite nas fazendas é de extrema importância, pois os seres humanos estão diretamente ligados a eles, principalmente por alimentarem-se do leite e seus derivados e da carne, importantes fontes de proteína, e que, se contaminados, transmitem doenças ao homem, as chamadas zoonoses. E também porque animal doente, significa prejuízo certo, seja com gastos de medicamentos ou por perdas na produtividade das fazendas e na criação em geral.
A seguir, daremos algumas dicas e datas mais importantes para que este manejo sanitário possa ser realizado de forma eficaz nas fazendas de criação de gado, através das vacinações e vermifugações (próxima edição).
Principais Doenças e Vacinas: o calendário de vacinação varia muito de uma região para outra no Brasil. Devemos ficar atentos para as campanhas de vacinação realizadas pelas Secretarias da Agricultura de cada Estado. O calendário de vacinação no Estado da Bahia foi alterado desde o ano de 2008. Normalmente cada fazenda tem seu calendário particular de vacinação, mas as principais épocas e vacinas são:
- febre aftosa: vacinar os animais a partir dos 4 meses de idade, revacinar 4 meses após a 1ª. dose e, daí em diante, de 6 em 6 meses.
- brucelose:vacinar somente as fêmeas entre 3 e 8 meses de idade, geralmente é feita na apartação. Não revacinar. O Estado da Bahia está desenvolvendo uma campanha para vacinação contra brucelose, obrigatória, que se inicia agora em março. A campanha será realizada no mesmo período da vacinação contra febre aftosa, mas em dose única.
- botulismo: vacinar os animais a partir dos 4 meses de idade, repetir a dose após 8 semanas, e revacinar anualmente.
- raiva: vacinar os animais a partir dos 4 meses, dose única. Revacinar anualmente.
- carbúnculo: também vacinar os animais a partir dos 4 meses, revacinando-os anualmente.
- pneumoenterite: vacinar os bezerros com 15 dias de idade e as vacas no 8º. mês de gestação.
- leptospirose: vacinar os animais na apartação (desmame), revacinando-os anulamente.
O criador e profissionais nas fazendas de bovinocultura devem atentar ainda para as observações abaixo:
- nunca vacinar animais doentes, em convalescença ou mal nutridos;
- evitar atropelos, choques e maus tratos durante a vacinação;
- observar muito bem o modo de aplicação e dosagens;
- retirar e aplicar vacina utilizando agulhas esterilizadas;
- usar luvas durante o preparo e aplicação da vacina;
- verificar o prazo de validade, e jamais utilizar vacina vencida;
- manter a vacina em geladeira, à temperatura entre 2 e 8 ºC.
- Transportar a vacina em isopor com gelo;
- queimar e enterrar profundamente os frascos e restos de vacina.
Responsável Técnico : Iramaia M. Bassoi Hefner CRMV 01437/Z
Artigo - Manejo sanitário para bovinos (02)
O uso de vermífugos:
Geralmente os vermífugos são usados de duas maneiras: terapeuticamente para tratar infestações existentes ou surtos clínicos, ou profilaticamente. Evidentemente, é preferível o uso profilático, quando a administração de uma droga a intervalos determinados, ou continuamente, durante um período de tempo, pode evitar a ocorrência da enfermidade.
Um vermífugo ideal deve possuir as seguintes propriedades:
- deve ser eficaz contra todos os estágios parasitários
de uma determinada espécie;
- deve ser atóxico para o hospedeiro;
- tem que ser rapidamente metabolizado e excretado pelo hospedeiro, caso contrário seriam necessários longos períodos de carência em animais produtores de carne (Ex: Nelore Padrão, Nelore Mocho) e leite (holandês, Jersey, etc);
- devem ser de fácil administração, existem apresentações
diferentes para as espécies animais. Produtos orais e injetáveis
são amplamente empregados em ruminantes e há também
preparados pour-on para bovinos;
- o preço deve ser razoável e analisado pelo criador e profissionais das fazendas.
Os vermífugos e seu modo de ação:
Existem vermífugos com princípios ativos de largo espectro, a base de ivermectina que agem tanto a nível de endo-parasitas (vermes), como também ecto-parasitas (berne, moscado chifre, carrapatos). Estes vermífugos são indicados para bezerros recém nascidos e depois repetir a dose de 4 em 4 meses na fase de cria, e para adultos de 6 em 6 meses.
Os vermífugos de pequeno espectro, a base de albendazole, imidazol, levamizole e fenbendazole (vermes gastrintestinais e pulmonares), agem apenas nos endo-parasitas, são os chamados anti-helmínticos e são indicados para animais nas fases de recria e engorda. Geralmente, as doses são dadas de 4 em 4 meses, de acordo com o grau de infestação de parasitas e com a região. Em regiões úmidas, ou época chuvosa, inverno no caso da região de Feira de Santana/Bahia, normalmente a incidência de vermes pulmonares é maior, portanto deve-se dar preferência para os vermífugos que atinjam também esses vermes.
PRINCÍPIO
ATIVO |
DOSAGEM |
APLICAÇÃO |
ivermectinas |
1%
1ml/50kg |
todas
as fases da criação |
abamectinas |
1%
1ml/50kg |
a
partir dos 4 meses de idade, em todas as fases da criação |
levaminol* |
22,5%
1ml/50kg |
todas
as fases da criação |
albendazol* |
12,5%
3ml/50kg |
todas
as fases da criação |
moxidectina |
1%
1ml/50kg |
a
partir dos 4 meses de idade, em todas as fases da criação |
doramectina |
1%
1ml/50kg |
todas
as fases da criação |
*OBS: a dosagem para vermifugação deve respeitar o peso corporal de cada animal, de acordo com as recomendações e especificações da bula de cada produto.
