Escritório em Salvador / Ba:
Tel. (71) 3444-2222
reunidas@atarde.com.br

Escritório em Feira de Santana / Ba:
Tel. (75) 3625-0455
smfeira@hotmail.com



Artigo - Etologia e bem-estar animal

Aspectos sobre o comportamento do bovino de corte (Nelore Padrão, Nelore Mocho, Guzerá e demais raças de zebu ou gado europeu).

Para que possamos melhorar o manejo do rebanho, é importante que nós profissionais técnicos, criador e trabalhadores de campo na pecuária de corte,  tenhamos conhecimentos básicos de etologia (comportamento animal), da espécie com a qual estamos trabalhando. Então, somente sabendo do comportamento da espécie, saberemos qual o melhor manejo para ela, e claro que isso tudo reflete em produtividade. O manejo inadequado, muitas vezes agressivo, acarreta conseqüências negativas no desempenho produtivo e qualidade da carne.

Os bovinos são animais gregários, ou seja, vivem em grupos e delimitam a área de pasto nas fazendas, como:

a) área de alimentação, onde os animais pastejam;

b) malhadouro onde os animais ruminam e descansam.

Veja outros conceitos:

- Espaço individual - é o espaço mínimo que o animal necessita para realizar seus movimentos e se sentir à vontade. Nas condições de criação em sistemas intensivos de produção é muito comum a formação de grandes grupos de animais, mantidos em alta densidade. A expectativa é que nessas condições aumentem a produtividade, mas não podemos nos esquecer que também terão efeitos sobre a expressão do comportamento e o desempenho individual dos animais. Por exemplo, nas fazendas em que a criação dos bovinos se dá em condições de alta densidade populacional, os animais não podem evitar a violação de seu espaço individual, o que pode resultar num aumento das interações agonísticas e estresse social.

- Distância de fuga - é a mínima distância que o animal permite aproximação de uma pessoa ou predador antes de iniciar a fuga. Depende muito do manejo o qual esse animal já foi submetido. Animais mais dóceis ou manejados de forma melhor apresentam menor distância de fuga. Depende também da raça, pois cada uma tem comportamento difereciado. Ex: os zebus em geral e a raça Nelore em especial, normalmente são mais arredios e bravios do que animais de raças européias.

- Líder - é o animal que normalmente toma a iniciativa de tudo e o rebanho o acompanha. Há sempre um animal que inicia o deslocamento ou as mudanças de atividade, quando ele é seguido pelos outros, trata-se do líder. Geralmente são as vacas mais velhas que lideram os rebanhos.

- Dominante - indivíduo ou indivíduos do grupo que ocupam as posições mais altas na hierarquia, dominam os demais os atacando impunemente e têm prioridade em qualquer competição; os submissos (ou dominados) são os que se submetem aos dominantes. Os fatores que normalmente determinam a posição na hierarquia são o peso, idade e raça. Dentro de um rebanho essa hierarquia é claramente percebida, porém em lotes muito grandes, os animais tem dificuldade em memorizar todos os membros do grupo, e devido a essa dificuldade ele passa a não lembrar quem é dominante e quem é submisso a ele, o que resulta num maior número de brigas. Alguns pesquisadores dizem que um lote deve ter entre 150 e 200 animais no máximo. Isso também é muito relativo devido a disponibilidade de recursos, ou seja, se houver água, sal (tamanho de cocho), sombra, etc, suficiente para todos os animais, não há necessidade de disputa entre eles.

Bem estar animal

Hoje em dia, no Brasil e no mundo se fala muito em ambiência e bem-estar animal, porém sempre surgem dúvidas a respeito do que realmente é bom para o animal, o que realmente lhe proporcionaria conforto e bem estar. O objetivo geral do bem estar animal é conhecer, avaliar e garantir as condições para satisfação das necessidades básicas dos animais que passam a viver, por diferentes motivos, sob o domínio do homem. Portanto devemos tratar o animal com respeito evitando que durante a sua vida ele passe por sofrimentos desnecessários.

Sabe-se que técnicas de manejo adequadas, tipo de criação, instalações bem planejadas e funcionários bem treinados podem ser a diferença entre maior ou menor lucratividade dentro da propriedade, pois tudo isso quando bem trabalhado diminui o estresse causado aos animais, conseqüentemente resulta em maior fertilidade, maior ganho de peso, menores perdas por acidentes ou contusões.

Um bom exemplo é quando as pessoas que manejam o gado têm bons conhecimentos de comportamento e especialmente como conduzi-los, pois numa condução mal feita, dentro ou fora do curral, o animal pode quebrar um membro ou sofrer contusões de carcaça que o frigorífico com certeza condena e/ou desconta no pagamento. Além disso, pode ser a diferença entre um bom dia de trabalho ou um dia de trabalho onde, metade dos funcionários se machucaram na lida com o gado nas fazendas de corte.

Responsável Técnico : Iramaia M. Bassoi Hefner CRMV 01437/Z